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DNS: o que acontece antes do primeiro byte

Escreve-se um endereço e a página aparece. Pelo meio há uma cadeia de perguntas que vale a pena conhecer — nem que seja para saber onde olhar quando um site "não abre só para si".

1. A cadeia

O browser precisa de um número — 185.199.108.153 — e só tem um nome. Para o descobrir, pergunta a um resolver, normalmente o do fornecedor de internet ou um público como o 1.1.1.1. Se ele não souber, pergunta em cascata:

  • Aos servidores raiz: quem trata do .pt?

  • Aos do .pt: quem trata do exemplo.pt?

  • Ao servidor autoritativo do domínio: qual é o endereço?

Tudo isto normalmente em menos de 50 ms — e quase sempre nem acontece, porque alguém pelo caminho tem a resposta guardada.

2. Os registos que interessam

A       exemplo.pt      185.199.108.153     # um endereço IPv4
AAAA    exemplo.pt      2606:50c0:8000::153 # um endereço IPv6
CNAME   www             exemplo.pt          # um nome que aponta para outro nome
MX      exemplo.pt      10 mail.exemplo.pt  # para onde vai o email
TXT     exemplo.pt      "v=spf1 ..."        # texto: verificações, SPF, DKIM

3. "A propagação demora 48 horas" é meia verdade

Não há propagação nenhuma: não é uma mudança que se espalha. O que existe é cache com prazo — o TTL de cada registo.

# Ver o que está publicado, e quanto tempo ainda dura
dig +noall +answer exemplo.pt

# exemplo.pt.  300  IN  A  185.199.108.153
#              └── TTL: 300 segundos

Quem já tinha a resposta antiga continua com ela até o TTL expirar. Daí o truque: baixar o TTL para 300 na véspera de uma mudança de servidor, e voltar a subi-lo depois. Sem isso, um TTL de 86 400 obriga a um dia inteiro de espera.

4. Quando algo não bate certo

# Perguntar diretamente a um resolver conhecido, saltando a cache local
dig @1.1.1.1 exemplo.pt

# Perguntar ao servidor autoritativo: é a verdade, sem intermediários
dig @ns1.fornecedor.pt exemplo.pt

Se o autoritativo já responde o novo e o seu computador ainda vê o antigo, não há nada partido — há um TTL por expirar, e a única coisa a fazer é esperar.

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